PERCIVAL FARQUAR – INVESTIDOR DO BRASIL E FUNDADOR DE PORTO VELHO

SILVIO MELLON

 

O americano Percival Farquhar (1864-1953) foi um dos grandes nomes do mercado financeiro mundial nos primeiros anos do século XX. Numa época de abundância de dinheiro, podia levantar dinheiro para o que quisesse. Entre 1904 e a eclosão da I Guerra Mundial, Farquhar teve acesso livre aos maiores investidores da Europa e dos Estados Unidos e investiu um enorme capital para construção de ferrovias, portos, frigoríficos, companhias elétricas e de comunicações, loteamentos, fazendas.


Ele comandou vários negócios no Brasil e no ano de 1913, controlava uma fortuna 50 milhões de libras esterlinas, a moeda que predominava no Brasil. Assim, Farquhar se tornava o principal administrador de recursos estrangeiros no país. A histórica Estrada de Ferro Madeira–Mamoré é o seu mais polêmico investimento. Aberta na selva amazônica para cumprir os acordos firmados no Tratado de Petrópolis (1903) assinado entre Brasil e Bolívia, a cognominada “ferrovia do diabo” se tornou um prodígio de engenharia da época, mas custou a vida de 1.500 trabalhadores (número contestado por muitos estudiosos, fala-se inclusive em 20000 mortos) e jamais deu o lucro aos seus investidores.


Percival Farquhar investia também em madeireiras. Como na época não havia ainda uma consciência ecológica despertada no povo, Farquhar foi um dos grandes destruidores ambientais da Mata Atlântica no sul e sudeste do Brasil. No início do século XX instalou nesta região uma das maiores serrarias da América do Sul, gerando conflitos como a Guerra do Contestado (1912/1916) que ceifou a vida de trinta mil sertanejos.

Os empreendimentos de Farquhar declinaram quando o grande fluxo internacional de capitais cessou em 1914, no começo da I Guerra Mundial(1914-1918). Para agravar a situação, todos os seus investimentos fora do campo ferroviário (gado, madeira, terras ou portos) entraram em decadência e muitos foram à falência. Seus negócios não tinham mais lastro financeiro para manter negócios variados.


Em 1911, Percival Farquhar adquiriu a empresa Itabira Iron Ore Company, que pertencia a investidores ingleses e detinha a maior parte das ações da Estrada de Ferro Vitória-Minas – até hoje, o coração do sistema logístico da siderúrgica Vale do Rio Doce. O plano de Farquhar era transportar o minério à costa capixaba, onde ele construiria uma siderúrgica, para exportar o ferro já transformado em aço.


Os esforços de Farquhar para explorar o ferro também provocaram muita polêmica. Na década de 30, um de seus críticos mais ferrenhos foi o escritor Monteiro Lobato. Anos mais tarde, contudo, Lobato mudaria de ideia. Num ensaio intitulado Farquhar e o Brasil, ele deixou de considerar o americano como um capitalista sinistro para descrevê-lo como um “clássico construtor de império”, imbuído de um inabalável otimismo econômico. Por ser norte-americano, ele também sofreu grande oposição de governos nacionalistas, como os de Arthur Bernardes e Getúlio Vargas.


Depois de sua decadência como investidor e até sua morte (1953), Farquhar continuou investindo no Brasil. Sua lógica de mercado voltou-se para a extração e exportação de minério de ferro em Minas Gerais, mas seus planos de fundar companhias mineradoras foram barrados por sucessivos governos. Apenas conseguiu por de pé a Acesita, uma grande empresa que existe até hoje. É considerado o fundador de Porto Velho embora nunca tenha pisado no solo da capital de Rondônia.


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