FORTE PRÍNCIPE DA BEIRA, MAGNITUDE ÍMPAR EM RONDÔNIA LOCALIZADA EM COSTA MARQUES

PROFº CARLOS ALBERTO

“A soberania e o respeito de Portugal impõem que neste lugar se erga um forte, e isso é obra e serviço dos homens de El-Rei, nosso Senhor e, como tal, por mais duro, por mais difícil e por mais trabalho que dê,… é serviço de Portugal. E tem de se cumprir.”


Com estas palavras o Governador da então Província de Mato Grosso Luis Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, em 20 de junho 1776, lança a Pedra Fundamental de um monumento de magnitude ímpar em Rondônia localizado no município de Costa Marques.


 

Nas sólidas terras à margem direita do Rio Guaporé, num perímetro que corresponde a um quadrado de 970 metros, no coração da Floresta Amazônica, é para se cumprir a ordem de D. José I, Rei de Portugal. Se assim é, o Real Forte Príncipe da Beira dá o seu ponta-pé inicial.


Durante 7 longos e sofridos anos cerca de 200 operários especializados, centenas de índios e aproximadamente 1000 negros escravos, trabalharam duro a mercê das vicissitudes de uma inóspita região, onde doenças tropicais lhe era uma peculiaridade. Dentre tantas vidas ceifadas por malária neste percurso, hoje sem nome e sem cruzes, consta a do engenheiro Domingos Sambucetti, responsável até sua morte pela monumental construção.


Construído para proteger estas paragens do poente da ganância dos países andinos pela comprovada existência de ouro nesta região no século XVIII, o Real Forte Príncipe da Beira resiste às intempéries de 237 longos anos, ainda ostentando para a natureza, visitantes e a comunidade que lhe avizinha que um dia a força e o poder humano se fizeram ali presentes.


Inaugurado, ainda inacabado, no dia 31 de agosto de l783, pelo Capitão engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra, um dos substitutos de Sambucetti, o Real Forte Príncipe da Beira apesar de nunca ter sido utilizado em combate, cumpriu o seu papel de consolidar a posse da coroa portuguesa sobre estes longínquos rincões do Brasil.


Desfeita a ganância dos países andinos e dos colonizadores do Brasil pelo declínio do ouro, o Forte perdeu seu valor estratégico e sua funções militares passando a funcionar como um grande presídio. Após a proclamação da República, por razões políticas e econômicas foi abandonado pelo governo em 1889. A mercê da floresta que dele tomou conta, permaneceu esquecido até l914, quando foi reencontrado pelo Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon ao passar por estas partes fazendo levantamentos topográficos para a instalação da rede telegráfica.


Em 1930 Rondon voltou e construiu ao lado do gigante, já em ruínas, as instalações do 1º Pelotão de Fuzileiros de Selva Destacado. Em função disso, se instalaram vários civis remanescentes de quilombola que forma o atual Distrito do Forte Príncipe da Beira. Todos os anos no dia 20 de junho, o Pelotão de Fuzileiros de Selva Destacado se junta à comunidade civil e às autoridades costamarquense para comemorar o aniversário da Fortaleza, que apesar do seu estado arruinado, permanece vivo e altaneiro na história e na lembrança de um povo que canta orgulhosamente “O TEU FORTE É A MARCA DE UM POVO QUE DE TI TEM ORGULHO PROFUNDO, COSTA MARQUES, PARAÍSO DO VALE, ONDE DEUS REUNIU AS BELEZAS DO MUNDO!”



Prof. Carlos Alberto.

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